A escola municipal fica numa rua sem nome, no limite entre dois bairros periféricos de Fortaleza. Tem 680 alunos, 34 professores e, desde 2024, funciona em tempo integral — das 7h às 17h, cinco dias por semana. Na teoria, é uma das prioridades do governo federal. Na prática, é uma história de improviso, boa vontade e exaustão.
"A gente recebeu a notícia de que viria a escola integral por um e-mail", conta a diretora, que pediu para não ser identificada. "Não houve consulta, não houve preparação. A escola foi incluída no programa e pronto. Tivemos três meses para adaptar tudo."
O que mudou — e o que não mudou
O tempo integral trouxe coisas boas. Os alunos têm onde ficar enquanto os pais trabalham. A merenda melhorou — agora são três refeições por dia. O índice de abandono escolar caiu de 8,3% para 4,1% no primeiro ano.
Mas trouxe também problemas que ninguém antecipou. Os professores, que antes trabalhavam 20 horas semanais na escola, agora trabalham 40 — sem aumento proporcional de salário. A estrutura física não foi adaptada: não há refeitório adequado, não há espaços de convivência, não há salas para as atividades extracurriculares que o programa prevê.